Marcelo Cigales (UnB) e Cristiano Bodart (UFAL), pesquisadores vinculados ao Laboratório de Ensino de Sociologia publicaram o artigo “O Ensino de Sociologia como tema de pesquisa na pós-graduação brasileira (1993-2021)”, na revista Sociologias. O trabalho sistematiza e analisa a produção de teses e dissertações sobre o tema no Brasil, oferecendo um panorama consistente sobre a consolidação — ainda em curso — desse espaço de investigação.
Com base em um levantamento de 385 trabalhos defendidos entre 1993 e 2021, o estudo evidencia alguns achados centrais. Em primeiro lugar, destaca-se o crescimento expressivo da produção acadêmica, especialmente a partir de 2008, indicando a ampliação do interesse pelo ensino de Sociologia como objeto de pesquisa e sua progressiva institucionalização no campo científico .

Em segundo lugar, a pesquisa aponta o papel decisivo dos mestrados profissionais — responsáveis por parcela significativa das dissertações — na dinamização da área, aproximando a produção acadêmica das práticas docentes e do cotidiano escolar . Esse dado sugere uma inflexão relevante: o conhecimento não apenas sobre o ensino, mas produzido a partir dele.
Outro resultado importante refere-se à forte concentração das pesquisas nas áreas de Educação e Ciências Sociais, evidenciando a natureza híbrida do campo e sua dependência dessas duas tradições disciplinares . Longe de ser um detalhe, trata-se de uma característica estrutural que ajuda a explicar tanto sua vitalidade quanto suas ambiguidades.
O estudo também identifica mudanças na distribuição regional da produção acadêmica. Embora o eixo Sul-Sudeste ainda seja relevante, observa-se o crescimento expressivo do Nordeste, que passa a ocupar posição de destaque no volume de trabalhos — um deslocamento que relativiza a tradicional concentração regional da ciência brasileira .
Por fim, os autores evidenciam a ampliação do número de pesquisadores, instituições e espaços de divulgação dedicados ao tema, reforçando a hipótese de que o Ensino de Sociologia se configura como um subcampo em processo de autonomização, ainda que fortemente condicionado por mudanças nas políticas educacionais e nas condições institucionais da pesquisa
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